Leitura e Produção de Textos

Videoaula 1 – Concepção de Linguagem

A primeira videoaula da disciplina: “Leitura e produção de texto” para os alunos do curso de Engenharia da UNIVESP tem como objetivo apresentar uma concepção de linguagem que é viva, dialógica e interativa, conforme a ideia de Bakhtin.  Para este, a linguagem é um produto vivo da interação, das condições materiais e históricas de cada tempo; sendo que sua propriedade mais marcante é a dialogia.
De acordo com José Luiz Fiorin em “Introdução ao Pensamento de Bakhtin”, o dialogismo representa as relações de sentido que se estabelecem entre dois enunciados.
As relações entre modalidades linguísticas se dão na divisão da escrita/fala (o que, porque, para quem e como dizer) e da leitura/escrita (gerar , responder perguntas e ampliar o que e como dizer); e a partir destas relações o sujeito se assume como locutor ou interlocutor.
A língua deve ser entendida como um processo criativo que permite a grande aventura da comunicação; e pode ser entendida tanto como um sistema aberto, por possibilitar a criação de diversas criações, como um sistema fechado, por possuir regras a serem seguidas.

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 Videoaula 2: Letramento: do conceito às implicações sociais e pedagógicas

O objetivo principal de aula é discutir as diferenças entre alfabetização e letramento. A alfabetização é a ação de ensinar ou aprender a ler e escrever. Já o letramento relaciona-se ao estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as praticas sociais que usam a escrita.
 A convivência do alfabetismo e do letramento pode se dar em quatro situações: o alfabetizado pouco letrado, não alfabetizado e pouco letrado, o letrado pouco alfabetizado e o alfabetizado pouco letrado. O analfabetismo funcional corresponde ao letrado pouco alfabetizado e ao alfabetizado pouco letrado. 
Segundo dados do IBGE (2012) os analfabetos funcionais representam 18,3% da população brasileira. Conforme uma pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, 26% dos alunos do ensino fundamental, 8% dos alunos do ensino médio e 4% do alunos do ensino superior são analfabetos funcionais.  Apenas ¼ da população brasileira pode ser considerada um leitor pleno.
O analfabetismo funcional esta relacionado com as desigualdades sociais, coma  dificuldade de acesso aos bens culturais e não somente, mas também da escola. A alfabetização e letramento é um compromisso que todos os educadores deveriam assumir.

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Videoaula 3: A leitura para além da decodificação

A aula tem como principal objetivo discutir a relação entre a percepção da informação visual e a construção de significados pelo leitor, pois todo texto possui uma estrutura aparente (o que se vê na escrita) e uma estrutura profunda (construção de significados).
Uma única estrutura aparente pode ter várias estruturas profundas. Como exemplo, pode-se citar a propaganda de uma escola de idiomas: “Fisk: todo mundo fala bem”. Pode ser que todo mundo fale bem da escola, ou pode ser que todo aluno da escola fale bem determinada língua.
Vale lembrar que entre a estrutura aparente e a estrutura profunda há uma interdependência, mas não necessariamente uma sobreposição.

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Videoaula 4 - Competências de leitura

A aula tem como objetivo principal promover uma discussão sobre as competências da leitura.
A primeiro esforço do leitor é o reconhecimento de sua língua.na sequencia,  o leitor faz antecipações e relaciona estas com as experiências por ele antes vividas. Essas antecipações e relações devem levar o leitor a fazer conexões com outros saberes e outras experiências para que seja construída a mensagem. O leitor inteligente é aquele que consegue estabelecer relações internas.
Podem-se citar 9 ações como as mais importantes competências da leitura:
 Ø  Reconhecer a língua e ler para além dela;
 Ø  Discriminar símbolos;
 Ø  Conhecer o código;
 Ø  Construir significados, buscar informações e encontrar respostas;
 Ø  Relacionar informações com discursos e valores do contexto social;
 Ø  Relacionar informações com outros saberes;
 Ø  Antecipar e conferir informações;
 Ø  Articular informações internas do texto;
 Ø  Prever e dialogar com os sentidos, lidar com ambiguidades.

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Videoaula 5 - Língua portuguesa ou língua brasileira?

O principal objetivo da aula é apresentar a discussão sobre a existência de uma “língua brasileira”.
A rigor, antes que os portugueses chegassem ao Brasil existiam aqui inúmeras línguas faladas pelos nativos. Embora a língua oficial do país seja a língua portuguesa, é importante ressaltar que a língua falada pelos brasileiros recebeu influencias de outras línguas como o italiano, o espanhol, o japonês e como dito das línguas faladas pelos índios que aqui viviam.
Quando se fala em língua brasileira, fala-se do que seria uma língua autônoma, presente na comunidade brasileira e que se difere da língua falada em Portugal. Apesar da coincidência de idiomas há uma identidade cultural que revela que o “português brasileiro” é diferente do “português de Portugal”, ou seja, por uma questão de definição cultural ficaria mais conveniente  admitir que falamos “brasileiro”.
Deve-se lembrar ainda que, apesar da língua oficial, existem ainda as questões regionais que fazem com que a língua falada em determinadas partes do pais seja diferente daquela falada em outros locais/ o que não faz com que sejam caracterizadas como novas línguas, mesmo que estas sejam reconhecidas como dialetos.
Diante dessa polemica de considerar ou não uma “língua brasileira” podemos falar em língua portuguesa de expressão brasileira.

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Videoaula 6 - Gramática e vida

A intenção desta aula é abordas as diferenças existentes entre a gramática normativa e a língua viva; ou seja, o que é regra e o que realmente acontece coma língua no cotidiano.
A gramática normativa tenta consolidar/petrificar ou ainda tornar imutável a língua viva. A língua viva por sua vez se “molda” às necessidades dos falantes, seu cotidiano, suas particularidades e acaba sendo muito mais voltada à efetivação da comunicação do que às regras.
Nesse debate insere-se questões relacionadas por exemplo ao uso de palavras que, gramaticalmente, estariam erradas, mas que fazem sentido no processo da comunicação. Um exemplo pode ser uso da palavra “ponhava”. Todos sabemos que esta palavra não é “aceita” gramaticalmente, no entanto, ela é totalmente compreensível. Quando a ouvimos em uma conversa identificamos o erro, mas podemos compreender perfeitamente seu sentido.
Na escola os professores devem mostrar/ensinar a gramática normativa (regra) e a necessidade de se adequar o que falamos com os nossos interlocutores.

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Videoaula 7 – As regras da nova ortografia

Nesta aula foi discutido um pouco sobre a polêmica que envolve as novas regras ortográficas.
A ortografia estabelece como as palavras são escritas e com o passar do tempo sofre alterações, pois a língua, que é viva ou dinâmica também sofre alterações que podem se dar por exemplo com o avanço das mídias sociais.
Recentemente houve entre os países lusófonos (onde se fala português) um novo acordo ortográfico, o que não quer dizer que as novas regras foram, estão sendo ou serão adotados nos mais diferentes países envolvidos no acordo. Há questões que vão além da cartografia. Em Portugal, por exemplo, a palavra “fato” significa terno, vestimenta; enquanto a palavra “facto” tem o mesmo sentido que a palavra “fato” que utilizamos no Brasil. No Brasil por outro lado, as pessoas ainda relutam para se desvencilhar do uso da trema em palavras como “linguiça”.
Apesar dessas questões e das dificuldades culturais que alguns países tem em se adaptar para colocar a regra em pratica não se deve desprezar os esforços envolvidos para realização deste acordo, tampouco nos esquecermos que a vida da língua é mais rica e mais interessante que um monte de regras. É preciso manter atenção entre as regras e a vida.

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Videoaula 8 – Prática da escrita

O objetivo desta aula foi demonstrar com a prática da escrita foi inserida e alterada ao longo do tempo nas escolas e na nossa vida.
A escrita está via e presente no nosso cotidiano, nas mídias digitais, na troca de mensagens, por exemplo.  Apesar desta presença e importância em nossa vida a pratica da escrita na escola é uma experiência redutora, ou seja, na escola a redação aparece como uma pratica destituída de sentido e significado, reduzida a um código; onde não são permitidos erros na superfície textual. Neste contexto o professor de língua portuguesa aparece como “o guardião” da língua e somente ele pode corrigir as falhas dos alunos e os demais professores das outras disciplinas acabam ficando isentos de qualquer responsabilidade de correção da escrita dos alunos.
Uma lei de 1977 criou um impacto no processo de escolarização. A obrigatoriedade da redação nas provas de vestibular fez com que escolas e cursinhos começassem a treinar os alunos a escrever conforme mecanismos de gêneros redacionais.
Mas como a escola pode fazer um uso mais eficiente dos tipos e gêneros textuais? É preciso fazer com que o aluno se assuma como locutor e sujeito do seu dizer; o que implica que ele tenha o que dizer que tenha razões para isso, e que saiba, portanto a quem dizer e com que finalidade produz o seu dizer. Por outro lado, não se deve desprezar a superfície textual, mas sim fazer uma orientação competente para que ao aluno corrija seus erros. Para facilitar este processo a escola pode criar situações para induzir ao aluno a escrever, por exemplo a partir de campanhas institucionais, rádios e jornais da escola.
Como resumo desta aula, o mais importante a ser lembrado é que a língua portuguesa não pode ser departamentalizada.

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Videoaula 9 O que faz de um texto um texto?
Metrarregras de repetição e de progresso (parte I)


A aula aborda as metarregras descritas por Michel Charolles que fazem de um texto um texto.
A preocupação de Charolles é pedagógica, ou seja, voltada sobretudo para o professor. Charolles observou que os professores faziam determinadas anotações durante a correção de textos de seis alunos. O autor percebeu que vários professores faziam criticas que eram mais ou menos destituídas de rigor, de preocupação com o resultado de um olhar critico em relação aos vários fatores de constituição de um texto.
Para Charolles, existem 4 metarregras que fazem de um texto um texto: Metarregra de repetição, de progressão, de não contradição e de relação.
Ø  Repetição – para que um texto seja (microestruturalmente e macroestruturalmente) coerente é preciso que contenha, no seu desenvolvimento linear, elementos de recorrência escrita.
Quais seriam os recursos para a repetição ?
 a) pronominalização;
b) as definitivações e as referenciações dêiticas contextuais;
c) substituições lexicais;
d) as recuperações pressuposicionais e as retomadas de inferência.
Ø  Progressão – para que um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente coerente, é preciso que haja no seu desenvolvimento uma contribuição semântica constantemente renovada.
As outras duas metarregras será tratadas na próxima videoaula.

       

Aula 10 – O que faz de um texto um texto? 
Metarregras de repetição e de progresso (parte II) 

O objetivo desta videoaula foi discutir as duas outras metarregras descritas por Michel Charolles que fazem de um texto um texto.
 Ø  Metarregra de não contradição – para que um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente coerente é preciso que no seu desenvolvimento não se introduza nenhum elemento semântico que contradiga um conteúdo posto ou pressuposto por uma ocorrência anterior, ou deduzível desta por inferência.

 Ø  Metarregra de relação – para que uma sequencia ou texto sejam coerentes, é preciso que os fatos que se denotam no mundo representado estejam relacionados.
Recapitulando as 4 metarregras:
A repetição de determinados elementos linguísticos pode ser feita no texto evitando os exageros, para isso pode-se utilizar de substituições e elipses.
A progressão  talvez seja a metarregra mais perfeitamente compreendida. A progressão revela que  o texto avança. Está relacionada à capacidade de inserir coisas novas no texto.
A  não contradição é importante para não permitir que o leitor fique confuso.
A relação tem a ver com essa necessidade de trazer o mundo exterior para dentro do texto, demonstrando a capacidade de representa-lo.  Fatos, situações, personagens  precisam ser representados pelo texto.
  
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Videoaula 11 - O que faz de um texto um texto? 
Princípios de textualidade - parte 1

O principal objetivo da aula foi discutir alguns princípios da textualidade. Como trata de um assunto extenso o tema principal da aula foi discutido em duas partes, sendo que a segunda parte será discutida na próxima videoaula.
A textualidade tem a ver com as características que fazem de um texto um texto. Tem a ver com os mecanismos que garantem a inteligibilidade deste texto, ou seja, o texto se faz reconhecido a medida que quem escrever seja capaz de gerenciar uma serie de recursos.
Dois estudiosos empenharam-se em estabelecer princípios de textualidade, que podem ser divididos em  Fatores linguísticos (coesão, coerência, intertextualidade)  e extralinguísticos (intencionalidade, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade)
A coesão diz respeito ao modo como elementos de superfície textual (palavras e frases) encontram-se conectados entre si numa sequencia linear, por meio de dependência de ordem gramatical. Já a coerência diz respeito ao modo como os componentes do universo textual, ou seja, os conceitos e relações subjacentes ao texto de superfície são mutuamente acessíveis e relevantes entre si, entrando numa configuração veiculadora de sentido (Beaugrande & Dressler). Enquanto a coesão é visível, concreta, a coerência é reticular, subentendida.
A intertextualidade- tem a ver com a capacidade dos textos dialogarem entre si.

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Videoaula 12 - O que faz de um texto um texto? 
Princípios de textualidade - parte 2

A videoaula 12 foi dedicada à apresentação dos fatores extralinguísticos e à retomada dos fatores linguísticos.
Para fazer um resumo da aula anterior, iniciamos dizendo que a coesão em um texto relaciona-se ao  nexo; é o elemento, recurso que esta na superfície do texto (visivelmente localizado). Já a coerência é um processo mais complexo, é subjacente, está em toda a parte e é responsável pela unidade de sentido. A Intertextualidade por sua vez é a capacidade que os textos têm de dialogar entre si.  O fenômeno da intertextualidade está presente no dia a dia, nas entrelinhas de determinado discurso. Cabe a nós captar esta capacidade dos textos dialogarem entre si.
O primeiro fator extralinguístico é a Intencionalidade. Como o próprio nome diz, este principio tem a ver com intenção do texto, ou a  intenção que o autor tem com o texto. Essa intenção pode ser, por exemplo, a intenção em  compartilhar o texto em determinada plataforma, ou então um exercício estético que tenta criar um efeito. O conceito de intencionalidade esta próximo do conceito de argumentatividade, que é a capacidade que os discursos revelam em tentar convencer um destinatário sobre um determinado propósito. A argumentatividade revela que não existe textos neutros.
Outro fator extralinguístico é a Aceitabilidade. Se da parte do autor existe uma intenção, da parte do leitor há um pacto que se chama de aceitabilidade, que se relaciona à  medida o texto pode ser entendido/aceito por determinado leitor.
O fator Informatividade tem a ver com a  capacidade de um texto nos surpreender, demonstrar determinado grau de informação.
Por ultimo, o fator Situacionalidade tem a ver com uma determinada situação circunscrita no texto. Pode ser vista do texto para um contexto ou de uma situação para o texto.

Todos esses fatores comumente são considerados fatores de coerência para produção de sentido.

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